
Cerca de 60% do território brasileiro é ocupado pela Amazônia, uma cobiçada região da América do Sul onde tudo é grande e belo, e que suscita o interesse de todo o mundo, em todos os níveis.
No centro da Amazônia está a cidade de Manaus, capital do Estado do Amazonas, o mais extenso e 15º mais rico da federação brasileira, além de 3º mais rico do Norte e Nordeste do Brasil, atrás apenas da Bahia e de Pernambuco.
Um pouco da história
Avaliando brevemente a história da colonização do Brasil encontramos que os portugueses só se interessaram pela Amazônia por volta do ano de 1616, depois que esta já havia sido explorada por expedições espanholas que partiram do Oceano Pacífico em busca do País da Canela e do Eldorado. Em uma delas os espanhóis chefiados por Francisco Orellana percorreram a região através do grande rio que já era conhecido como Amaru Mayu (A serpente Mãe do Mundo) e que foi chamado de Rio Amazonas, chegando ao Atlântico em 1542. Também os ingleses e holandeses, durante anos, tiraram proveito de um ativo comércio de madeiras e pescado, iniciando plantios de cana-de-açúcar, algodão e tabaco, até serem expulsos em 1639.
Na época o Amazonas já possuía inúmeras cidades e povoamentos menores, mas nos anos seguintes surgiram atividades espanholas e francesas na região do Rio Negro e, para consolidar e garantir a posse lusitana na região, o Capitão Francisco da Mota Falcão fundou em 1669 o Forte de São José do Rio Negro, a três léguas do encontro das águas do Rio Negro e do Rio Amazonas, que evoluiu para Lugar da Barra, Vila de Manaus (em homenagem à valente tribo Manaós), Cidade da Barra do Rio Negro e finalmente, em 04 de setembro de 1856, para Cidade de Manaus, tornando-se capital da então Província do Amazonas, que fora criada em 05 de setembro de 1850.
O aniversário da cidade é comemorado no dia 24 de outubro, pois foi nesse dia, no ano de 1848, que recebeu o título de Cidade (da Barra do Rio Negro).
Ciclos da Borracha – Manaus, a “Paris dos Trópicos”
A capital do Amazonas era um lugar esquecido e praticamente inexistente nos mapas, até que a industria européia passou a utilizar o látex extraído das seringueiras. No período de 1879 a 1920 a Região Norte brasileira viveria o seu melhor momento e o Brasil experimentaria também um dos seus grandes ciclos econômicos, o primeiro Ciclo da Borracha.
Naquela época o mundo voltou-se para a Amazônia, que abençoadamente possuía abundância de seringais nativos e que passariam a ser incansavelmente explorados comercialmente.
Com o sonho de enriquecer, milhares de imigrantes brasileiros instalaram-se nos seringais, principalmente ex-escravos e nordestinos que fugiam das secas. Outros trabalhadores de diferentes nacionalidades, entre eles portugueses, ingleses, espanhóis, italianos, alemães, americanos, gregos, sírios e libaneses, também constituíam a cadeia produtiva da borracha e faziam o intercâmbio econômico entre Manaus, Belém, os seringais e os grandes centros industriais e financeiros da Europa e dos Estados Unidos.
Manaus centralizava todo esse processo, uma boa parcela dos seus habitantes tornava-se muito rica e os “Barões da Borracha” financiavam imponentes construções.
Em 1880 foi inaugurado o Mercado Municipal Adolpho Lisboa, com pavilhões em estilo art nouveau, com suas peças importadas prontas da Europa, e em 1896 houve a inauguração do imponente e suntuoso Teatro Amazonas, que por duas décadas recebeu óperas, orquestras e grandes artistas internacionais, do nível de Sarah Bernhardt, Margot Fonteyn e Enrico Caruso, que também freqüentaram seu palco.
Teatro Amazonas e Largo de São Sebastião.O Tesouro estadual vivia acentuado aumento de arrecadação e Manaus se transformou em um canteiro de obras. Foi a primeira cidade a ser urbanizada no Brasil e a segunda a possuir energia elétrica. Ao receber novo traçado foram abertas praças, ruas e avenidas, feitos aterros e escavações e construídas magníficas pontes, duas delas em estrutura metálica, da Cachoeirinha e da Cachoeira Grande, importadas da Europa e montadas no local.

Ponte restaurada.
Iniciaram-se as construções do Palácio da Justiça, inaugurado em 1900, e outras ricas edificações, como o prédio da Alfândega, importado da Inglaterra, pedra por pedra, e inaugurado em 1909.

Palácio Rio Negro.
No momento em que praticamente todas as grandes cidades brasileiras viviam quase de modo rural, em Manaus já existia luz elétrica, redes de água encanada e esgotos, o Porto de Manaus e bondes elétricos, o que a tornava verdadeiramente cosmopolita e uma das mais importantes do mundo, chamada de “Paris dos Trópicos”.
Os amazonenses filhos das abastadas famílias estudavam nas melhores universidades européias e, embora em outros estados já existissem cursos isolados de nível superior, a Escola Universitária Livre de Manaós, depois Universidade de Manaós e hoje Universidade Federal do Amazonas, foi criada em 17 de janeiro de 1909, tornando-se a primeira universidade brasileira.
Em 1849 Manaus tinha aproximadamente 5 mil habitantes e, em meio século, cresceu para 70 mil habitantes. Para servir de referência, em 1900 a cidade de São Paulo possuía cerca de 240 mil habitantes. Também não se pode esquecer que naquela época não existiam aviões, e o único meio de transporte intercontinental eram navios, fato que concorria para que Manaus e Belém estivessem mais próximas dos grandes centros da Europa e dos Estados Unidos do que o Rio de Janeiro ou São Paulo.
Mas os seringais da Malásia passaram a produzir a preços muito menores que os do Brasil e interromperam o próspero mercado amazônico, estagnando a economia da região. A falta de visão dos “Barões da Borracha”, e dos governos envolvidos, resultou na completa ausência de alternativas para a continuação do desenvolvimento.
O segundo Ciclo da Borracha aconteceu no período correspondente à 2ª guerra mundial, de vez que os seringais malaios foram interditados pelas forças japonesas no Pacífico e o governo americano propôs comprar tudo o que o Brasil pudesse produzir. O grande desafio do governo brasileiro era aumentar a produção de 18 mil para até 70 mil toneladas, e necessitava da mão de obra de mais 100 mil homens.
Estabeleceu-se o que foi chamado de “Batalha da Borracha”, com o alistamento de voluntários que receberam a promessa de serem tratados no mesmo nível dos combatentes que integravam as forças brasileiras na Europa. O Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia (SEMTA), tinha sede em Fortaleza-CE, pois o governo esperava resolver também outro problema nacional, uma devastadora seca que assolava o Nordeste.
Milhares de trabalhadores de todas as regiões atenderam ao apelo do governo e envolveram-se na extração do cobiçado látex e foram chamados de “soldados da borracha”, em uma página inglória da história brasileira. Só do Nordeste foram para a Amazônia 54 mil trabalhadores, sendo a maioria do Estado do Ceará, mais precisamente para o então Território Federal do Acre.
Quase todos aqueles trabalhadores jamais retornariam para a sua terra, mas a Amazônia voltou a experimentar a sensação de pujança e riqueza. Manaus e Belém tiveram muito dinheiro em circulação e a economia regional revigorou-se. Porém, tão logo terminou a 2ª grande guerra, os seringais da Malásia foram reorganizados e novamente se reduziram as atividades nos velhos seringais da Amazônia.
Zona Franca de Manaus
Em 28 de fevereiro de 1967 o governo brasileiro reformulou e ampliou o modelo Zona Franca de Manaus, que já existia desde o ano de 1957, estendeu os seus benefícios fiscais a toda a Amazônia Ocidental (Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima) e implantou de imediato o Pólo Comercial em Manaus, transformando-a em um grande shopping center para os brasileiros de todas as regiões, que encontravam ali as novidades importadas do primeiro mundo e que ainda não estavam disponíveis no mercado interno. Em conseqüência dessa corrida às compras a cidade teve uma explosão em todas as atividades, principalmente na comercial, e só no ano de 1967 foram registradas 1.339 novas empresas, conforme dados da Junta Comercial do Amazonas.
Os primeiros projetos industriais foram implantados a partir de 1972 e hoje compõem o Pólo Industrial de Manaus (PIM), com mais de 500 indústrias de grande, médio e pequeno porte, a maioria delas fabricante de produtos das maiores marcas mundiais, com faturamento anual acima de 29 bilhões de dólares e exportações superiores a 2,2 bilhões de dólares (ano 2005).
No Distrito Industrial de Manaus são produzidos os equipamentos eletro-eletrônicos que estão nas casas e escritórios dos brasileiros de todas as regiões, como televisores e monitores para PC, inclusive de LCD e plasma, computadores, cinescópios, telefones celulares, aparelhos de som, DVD players, relógios de pulso e aparelhos de ar condicionado, além de bicicletas e motocicletas, e outros, viabilizando mais de 100 mil postos de trabalho.
Ao todo são aproximadamente 500 mil empregos diretos e indiretos (Fonte: SUFRAMA). A Constituição Federal de 1988 previa a manutenção dos incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus até o ano de 2013, mas a Emenda Constitucional nº. 42, de 19 de dezembro de 2003, estabeleceu a sua prorrogação até o ano de 2023, devendo ser aprovada nova prorrogação para 2033.
Também compõem a economia local o processamento e a comercialização de petróleo e gás natural, que são extraídos do campo de Urucu, no município de Coari-AM, o Pólo Agropecuário, que abriga projetos voltados para produção de alimentos, agroindústria, piscicultura, turismo, beneficiamento de madeira e outras atividades, e o Pólo de Biotecnologia, que possui o Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), base para o pólo de desenvolvimento sustentável e biotecnologia, que certamente estará em plena prosperidade nos próximos anos.

Navios-tanques em um terminal da Refinaria de Manaus.
Metrópole diferente, no meio da maior floresta do planeta
Não é o fato de ter sido criada em plena floresta amazônica que faz de Manaus um lugar diferente de todas as outras grandes cidades brasileiras, pois cada uma delas também foi criada em lugares inóspitos nas suas correspondentes regiões e épocas, dentro do mato, no alto de serras, sob a resistência de indígenas, que há muito já habitavam as mesmas terras, sem estradas de acesso e outras facilidades. Surpreendente mesmo é se viajar de avião a Manaus e, durante todo o percurso sobre a floresta amazônica, ver-se apenas um gigantesco deserto verde, cortado por imensos rios e lagos e, de repente, quando acontece a aproximação para pouso, ter-se à frente uma enorme cidade, dotada de tudo que possuem as outras grandes cidades, inclusive seus costumeiros problemas urbanos. Impressionante também é viajar à noite de barco pela região e, na aproximação de Manaus, ainda a muitos quilômetros de distância, vislumbrar-se um forte clarão, como uma enorme abóbada de luz acima da floresta, o que é característico das grandes metrópoles.

Centro Histórico.
Manaus tem 1.709.010 habitantes (IBGE), ocupando o 8º lugar entre as capitais brasileiras, tendo à frente apenas São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Brasília-DF, Curitiba e Fortaleza.
A área total do município é de 11.401km² e, como referência, só a sua área urbana, de 395km², é bem maior que cada uma das áreas totais dos municípios de Belo Horizonte, Fortaleza e Recife, o que a caracteriza como bastante horizontalizada. A cidade detém a posição de 6ª mais rica entre os municípios brasileiros, sendo a sua área Metropolitana formada por 7 municípios que não conurbam entre si: Manaus, Presidente Figueiredo, Novo Airão, Rio Preto da Eva, Careiro da Várzea, Itacoatiara e Iranduba.
Trecho do centro de Manaus.
Da mesma forma que nas outras regiões do país, a população de Manaus e do Amazonas também foi formada por índios, negros e brancos de todas as origens, com grande quantidade de imigrantes nordestinos e dos estados do sudeste e do sul. De acordo com o IBGE a população de Manaus se divide em 63,7% de pardos, 34,2% de brancos, 4,0% de negros e amarelos e 0,1% de indígenas. Vivem na cidade grandes quantidades de pessoas originárias de outros países, como portugueses, japoneses, coreanos, chineses, espanhóis, sírios, libaneses, judeus, ingleses, italianos e outros, também de toda a América, principalmente dos países vizinhos. Em todo o Estado do Amazonas a contribuição indígena enriquece e dá uma mágica conotação à sua cultura, particularmente à musica e às artes plásticas regionais. A música regional tem também forte influência andina, em estilo, ritmo e instrumentos.
Os manauenses (ou manauaras) são festeiros, praticam muito esporte, mas também trabalham e estudam muito e convivem estreitamente com elementos culturais de outras regiões e países, em conseqüência dos efeitos da globalização e também por conta dos contatos existentes a partir dos negócios em geral e através das grandes empresas transnacionais existentes no Pólo Industrial de Manaus. É comum aparecerem cartazes de pessoas de Manaus naquelas imagens de televisão sobre os eventos esportivos, principalmente no Japão e na Coréia, pois estão lá estudando ou fazendo estágios nas sedes das empresas em que trabalham. Em contrapartida também há um intenso trânsito de pessoas de todas as partes do mundo tratando de negócios em Manaus. Na cidade existem mais de 28 entidades de ensino superior e o índice de analfabetismo em 2002 era de 6%. É uma das capitais brasileiras com maior índice de crescimento populacional, acima de 3%, e há bairros com IDH 0,943, igual ao da Noruega, que é o maior do mundo, e outros com menos de 0,600, o que demonstra a existência de grandes contrastes sociais. O IDH do município era 0,774 em 2002.




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